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Mulheres da República: Ana de Castro Osório na Página Asas da Igualdade de Maio
06/06/2010
"Asas da Igualdade" edição da UMAR-Açores no Açoriano Oriental, prossegue o destaque às Mulheres da República assinalando o Centenário da República. Na nota de abertura do mês de Maio Rosa Neves Simas fala de Ana de Castro Osório...
Ana de Castro Osório (1872-1935) fez a sua formação intelectual no espaço familiar, acedendo à diversificada biblioteca do pai. Estas leituras e as conversas em família e com visitantes da casa deram-lhe o contacto com as novas ideias que se difundiam pelo mundo e começavam a circular em Portugal.
O casamento com Francisco Oliveira, escritor e propagandista republicano, fomentaram a sua integração no movimento intelectual e republicano, desenvolvendo e consolidando ela própria um percurso de escritora, propagandista e activista.
Cedo aderiu ao feminismo, figurando entre as principais feministas do final do século XIX e princípio do século XX. Tomando o feminismo como a sua forma de estar no mundo, Ana Osório empenha-se na luta pela mudança do lugar da mulher na sociedade, quer na causa política e republicana, quer na organização do próprio movimento feminista em Portugal.
A ela se deve a fundação do Grupo Português de Estudos Feministas (1907), primeira agremiação feminista a existir em Portugal. Seguiu-se a Liga Republicana das Mulheres Portuguesas (1908), na qual assumiu funções de presidente.
Vendo a educação e o trabalho como o caminho para a dignificação da mulher, explorou o alcance cívico da escrita, imbuindo toda a sua produção de um sentido pedagógico. Autora de vasta obra, escreve em Às Mulheres Portuguesas (1905) “Não nos deixemos embalar com o sonho do passado; pensemos no futuro, que é trabalho e educação” pois a mulher “de espectadora indiferente, passou a ser figurante; entrou definitivamente na luta”.
O percurso de Ana de Castro Osório evidencia uma vida consagrada ao trabalho e à educação como baluartes da causa feminista.
ANEXOS